Faz tempo que tenho
vontade de escrever sobre corrida de rua e esse é o começo. Espero
que gostem!
Em primeiro lugar,
vou tentar explicar o nome do blog: RUNNER'S RAGE.
Runner,
como todo mundo sabe,
é a palavra em inglês para corredor. Já a palavra RAGE não
cabe em uma tradução simples em português. Se coubesse, a palavra
mais aproximada acredito que seria: fúria.Vou tentar narrar uma
história para que você possa entender mais sobre a RUNNER' S RAGE.
Em 2007, resolvi
participar de uma corrida de 10km (33a Prova Rústica Tiradentes em
Maringá-PR). Naquela época eu não sabia quase nada de corrida, só
sabia que deveria manter um ritmo constante para poder terminar a
prova. O meu treino era de quem queria perder peso em academia e
nesse treino, às sextas, o programa era fazer 1h de exercício
aeróbico na esteira.
Chegando perto da data
da prova, o pessoal da academia resolveu fazer uma camiseta para
participarmos da prova representando a academia. Topei usar a
camiseta e participar da corrida, assim como mais uns 7 ou 8 alunos.
O simples fato de usar uma camiseta igual despertou uma certa
competitividade em mim, já que seria possível identificar os alunos
da academia durante a corrida. Resolvi que iria ganhar a corrida
deles, mesmo sem declarar isso para ninguém.
Márcia Narloch - Venceu a Prova Rústica Tiradentes em 2007.
Foi tudo tranquilo até
o dia da prova, antes do tiro de largada. Na hora do tiro, meu
coração disparou, não tinha dado nenhum passo ainda e meu coração
pulsava mais do que o normal. Começando a correr, me acalmei um
pouco e consegui estabelecer um ritmo que eu achei que seria adequado
para ganhar do pessoal da academia e conseguir completar a prova.
Demorou um pouco, mas consegui ultrapassar o primeiro lá no km 3 da
prova. Depois disso, o objetivo era buscar o segundo, terceiro,...,
até o oitavo ou sétimo da turma da academia.
Isso foi acontecendo,
cada vez que eu via uma camiseta com o nome da academia, a minha
reação era fazer mais força, fechar as mãos mais forte e correr
mais até passar a pessoa.
Vanderlei Cordeiro - Venceu a Prova Rústica Tradentes em 2007.
Me lembro de ter
ultrapassado mais um próximo do km 5. E com a música do local, que
era próximo da linha de largada, fiquei mais empolgado. Foi assim
até o km 8, quando minhas pernas deram sinal de fraqueza. Nessa
hora, eu não sabia mais em que ritmo estava, não sabia se iria
completar a prova em 1h, em mais de 1h ou menos. O objetivo era de
correr em 1h. Eu só queria correr mais rápido e não conseguia e
isso foi durante o km 8 inteiro. No final do km 8, tinha uma subida,
bem desagradável, mas tinha um posto de água, que acabou ajudando
bastante. Finalmente, a placa km 9 chegou e com ela voltou a
motivação, a violência das passadas ficou maior, a respiração
que já estava a mil ficou mais frequente, o calor extremo do meu
corpo incomodava. Mas a fúria, a vontade de completar, a loucura
para ultrapassar só aumentava. As mãos se fecharam e não abriram
mais. Esse último km era uma reta com uma leve descida no começo e
uma leve subida no final. Era possível ver vários alunos da
academia na minha frente. O pensamento era: vou ultrapassar, não
importa mais nada! A linha de chegada está logo ali! Foi assim, com
muita força, vontade de parar logo, raiva, respiração não dando
conta de trazer todo o oxigênio necessário e eu tentando aumentar o
ritmo, tentando ultrapassar o último (último que avistei) aluno da
academia. E faltando 1 quadra, mais ou menos uns 200m, para a linha
da chegada, ultrapassei o último infeliz. Nessa hora, valia tudo, o
povo gritando e batendo palma me deixaram mais alucinado. Eu consegui
aumentar o ritmo, eu não via mais nada, só o pórtico de final de
corrida. Foi assim, em um sprint doido, que completei meus primeiros
10km.
Depois de pisar no
tapete, eu estava um bagaço, só queria água e ficar parado. Fui
lembrar de olhar no relógio só uns 20 metros depois da linha de
chegada. Fiquei contente com o tempo, que depois de corrigido, ficou
em 48:54.
Nesse dia ainda recebi
a notícia de que o Vanderlei Cordeiro tinha ganhado a prova
masculina.
E a Márcia Narloch
tinha ficado em primeiro na prova feminina.
Vídeo com um registro da chegada da Márcia e do Vanderlei
Ambos correram forte
contra atletas do Kênia, muito bem treinados e recém chegados da
altitude, e outros brasileiros igualmente competitivos. Fiquei muito
feliz com a notícia. Aproveitei que eu também estava com o número
da corrida no peito, fui passando as barreiras e cheguei na sala de
premiação. Lá consegui dar um abraço no Vanderlei e na Márcia, e
nessa hora veio a emoção. Ao lado de dois brasileiros vencedores,
em uma prova que tive a oportunidade de correr.
E foi assim minha
primeira RAGE: louca, inesquecível, furiosa, apaixonante, brutal!
É isso. Espero que
todos possam sentir isso um dia!

